"Los diccionarios de la era digital saben qué queremos saber y cuándo queremos saberlo."
http://blogs.elpais.com/papeles-perdidos/2013/03/en-la-era-digital-los-diccionarios-nos-leen-a-nosotros.html
"Fazer dicionários é como caçar borboletas. As palavras voam, é preciso caçá-las no ar". Aurélio Buarque de Holanda
quinta-feira, 21 de março de 2013
quarta-feira, 6 de março de 2013
A vida das palavras
Excelente artigo de Luis Barrera Linaes sobre a inclusão e exclusão de palavras, sobre a ideologia presente nos dicionários, sobre o trabalho dos lexicógrafos e sobre um dicionário de espanhol venezuelano. Em espanhol.
"Intento explicarle que, por ejemplo, un diccionario es mucho más que un túmulo de palabras o nombres. Y lo es porque, más allá de la mera y muy visible lista de términos definidos o explicados, hay otro mundo, existe un universo de creencias, de cosmovisiones, de ideales y de muchos otros aspectos que el lector poco acucioso puede no percibir, pero que están ahí, frente a sus ojos."
http://www.el-nacional.com/papel_literario/vida-palabras-espanol-venezolano-diccionario_0_146985513.html
"Intento explicarle que, por ejemplo, un diccionario es mucho más que un túmulo de palabras o nombres. Y lo es porque, más allá de la mera y muy visible lista de términos definidos o explicados, hay otro mundo, existe un universo de creencias, de cosmovisiones, de ideales y de muchos otros aspectos que el lector poco acucioso puede no percibir, pero que están ahí, frente a sus ojos."
http://www.el-nacional.com/papel_literario/vida-palabras-espanol-venezolano-diccionario_0_146985513.html
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
A Bula (II)
Caro leitor, vamos
continuar neste post a ver qual é a relação de uma bula com um dicionário.
Se você for um pouco
mais antigo, como esta que vos fala, vai lembrar que antes a maioria das bulas
era feita em um papel bem fininho, as letras eram miudinhas e todo o espaço era
aproveitado. Isso acontecia para que coubesse o máximo de informação possível
sobre o medicamento naquela bula, naquele espaço de papel.
Com os dicionários ainda
acontece a mesma coisa, se forem dicionários impressos. O espaço precisa ser
bem aproveitado para que comporte uma quantidade maior de palavras sem deixar o
dicionário muito volumoso e pesado, permitindo não só a inserção de uma
quantidade expressiva de palavras e termos como também alguma portabilidade do
dicionário ao consulente.
Um dos modos de alcançar
este objetivo é reduzindo o espaço destinado às margens, usar uma fonte
reduzida e um papel de gramatura fina e leve, que permita a inserção de muitas
folhas e não deixe o dicionário tão pesado.
Certo, mas eu falei das
bulas mais antigas. Isso porque as bulas, antes, eram mais direcionadas aos
médicos e não tanto ao público que iria usar o medicamento. O importante era
que o médico tivesse acesso a muitas informações sobre o remédio e ele, então,
explicaria ao paciente como usar a medicação.
Mas as bulas mudaram,
porque o público-alvo mudou. Os médicos começaram a ter acesso às informações
sobre o medicamento por uma bula especial para eles, ou por outros meios e as
bulas passaram a ser direcionadas para o público consumidor dos medicamentos. Com
a mudança de público-alvo, começou-se a usar uma fonte de tamanho maior, o que
acarretou uma gramatura de papel mais grossa e um uso do espaço no papel mais
conservador.
Outra coisa que,
obviamente, teve que mudar, foi a linguagem usada na bula. Como o público-alvo
passou de médicos e profissionais da saúde ao público em geral, foi necessário
que uma linguagem clara e acessível fosse implantada. O consulente de uma bula
precisa entender exatamente como tomar o medicamento, quais os efeitos
colaterais e as reações adversas para poder usar plenamente o remédio.
Com os dicionários
aconteceu uma coisa parecida, mas a questão fundamental, que permeia a mudança
tanto nas bulas quanto nos dicionários é
a determinação do público-alvo. É esta determinação que orienta ou deveria
orientar os profissionais que produzem dicionários em cada passo, em cada
decisão a respeito de como compor a apresentação de um dicionário.
No próximo post vamos
falar sobre as questões que orientam a elaboração de um dicionário, isto é, que
perguntas o elaborador do dicionário deve fazer a si próprio na elaboração de
um.
Referências:
Welker, Herbert Andreas.
Dicionários – Uma pequena introdução à Lexicografia. Brasília. Editora
Thesaurus, 2004.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Da confiabilidade dos dicionários
"O significado da palavra não está no dicionário, mas no texto que está sendo lido. O dicionário apenas dá pistas; quem dá o significado da palavra é o texto.”
Vilson J. LEFFA em http://www.leffa.pro.br/textos/trabalhos/dicionario.pdf
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
A bula
Caro leitor, vamos fazer um exercício de imaginação juntos?
Topou? Então, tá.
Imagine que você
está com um problema de saúde, leve ou grave, tanto faz.
Imagine que você
vai ao médico e ele te receita um medicamento, e depois vai à farmácia, compra
o remédio (que não sai barato) e o leva para casa.
Chegando lá, vai
tomar o remédio. Olha para a receita, mas ai, a letra do médico é indecifrável.
Você precisa saber quando tomar o remédio, como tomar o remédio. Não lembra
direito do que o médico falou, era muita informação ao mesmo tempo.
Então, ideia
luminosa, lembra da bula. Ah, na bula deve ter tudo explicadinho: como uma
pessoa que tem o seu problema de saúde deve tomar o remédio, de quanto em
quanto tempo, o que esperar em termos de melhora, quais podem ser os efeitos
colaterais e as reações adversas.
Pega a bula. O
remédio e o copo d’água ali, esperando que você descubra se pode mesmo tomar o
medicamento de estômago vazio, se não tem alergia a algum componente da fórmula
e quanto tempo ele demora a começar a agir, entre outras coisas.
E então, caro
leitor, você começa a ler a bula. A informação está toda lá, você sabe disso.
Só que em vez de estar organizada, separada por itens para que você entenda
melhor cada tópico, para que não tenha que ler o que não interessa, para que
não perca tempo lendo o que não é pertinente ao seu caso, tudo é uma confusão
só.
A posologia para
adultos está misturada com a posologia para crianças, as reações adversas estão
misturadas com os efeitos colaterais. A composição embaralhada com a forma de
apresentação do medicamento, que ora se refere a drágeas e ora a comprimidos,
que fala de spray como se fosse de aerossol, que confunde as precauções com as
indicações.
Está tudo lá, mas
agora você já está meio inseguro se esse remédio se aplica mesmo ao seu caso,
se você deve tomar uma ou cinco drágeas (será que drágea é mesmo igual a
comprimido?), se o remédio vai te curar ou te deixar mais doente. Mas o seu
problema de saúde continua e você vai ter que ler a bula toda, com muito
cuidado, até entender como fazer.
Sentiu o drama,
caro leitor?
Agora vamos olhar
para outra coisa, mas com a ideia da bula em mente.
Para o que vamos
olhar? Para um dicionário. Isso mesmo, para um dicionário. E o que tem a ver
uma coisa com a outra?
Quando você lê um
texto ou tem que elaborar um, tem que trabalhar dentro de um determinado
contexto, certo? O contexto é você, o seu corpo.
Quando encontra
alguma palavra que não conhece ou tem que escrever uma palavra, você tem um
problema, não é? Enquanto não resolver esse problema, não vai poder seguir
adiante. Essa é a sua doença, o seu problema de saúde. Enquanto não descobrir o
significado daquela palavra ou como usá-la, não pode prosseguir com o seu
texto. Precisa resolver a questão. E é aí que entra o medicamento: o
dicionário.
A solução está lá,
você aposta nisso. Quando descobrir o que é exatamente e como usar aquela
palavra, seu problema vai estar resolvido e você vai poder continuar a
trabalhar no seu texto.
Aí você pega o
dicionário e abre, na letra da inicial da palavra que está procurando. Mas,
opa, está difícil achar a informação que quer. Você queria saber o registro
daquela palavra? Ou um sinônimo? Ou será que era um exemplo de uso, ou então a
regência? Ou a definição mesmo, a acepção ou acepções daquela palavra. E que
tipo de palavra é? É um substantivo, um adjetivo? E a que campo do conhecimento
humano pertence?
Você sabe que as
informações estão lá. Afinal, é um dicionário, não é?
A esta altura, caro
leitor, você já entendeu que a bula, que serve para que você entenda clara e
rapidamente o que precisa saber sobre o medicamento, corresponde à maneira como
o dicionário é construído, como ele se apresenta, como as informações sobre as
palavras estão organizadas e apresentadas.
Em resumo, as
escolhas lexicográficas que foram adotadas na elaboração daquele dicionário
(que inclui a apresentação e os anexos) vão determinar o grau e a qualidade de
informação que você vai obter a respeito daquela palavra e, consequentemente
usá-la da maneira correta, da mesma maneira que a bula vai orientar como e
quando tomar o remédio, se aquele é o remédio certo e o que pode ou não fazer
enquanto está tomando a medicação.
No próximo post eu vou começar a
comentar as características de uma boa bula, ops, de um bom dicionário.segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Dos trabalhos lexicográficos
“Só quem tiver cometido um crime que não possa ser expiado por um castigo normal, deve ser condenado a trabalhos lexicográficos.” Giuseppe Giusto Scaligero
Desenho de Apel·les Mestres i Oñós
sábado, 19 de janeiro de 2013
Caçador de palavras
Por obrigações do ofício, Aurélio nunca se dava por satisfeito com as
acepções dos seus verbetes. Para explicar o que era um dicionarista, por
exemplo, por escrito, ele era curto: "Autor de dicionário, lexicógrafo". Mas, no meio de uma conversa, podia se esbaldar à vontade: "O
ideal de todo lexicógrafo é ser um ficcionista, afinal, o que é criar a
acepção de uma palavra, senão desandar pelo domínio da ficção?"
Fonte: http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=26019
Fonte: http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?itemid=26019
Lexicografomania não existe.
É uma palavra inventada para designar o vício, a paixão pelos dicionários, pelas palavras e pelo fazer lexicográfico.
Aqui vamos falar sobre como fazer um dicionário, o que é que um bom dicionário tem e como trabalham os lexicógrafos.
Seja bem-vindo!
Do nome e do vício
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